_O termo, que significa a busca obsessiva de informações sobre doenças na internet, por ansiedade ou medo excessivo, tem contribuído também para o uso indevido de medicamentos_
O dia 5 de maio é conhecido como o dia nacional do uso racional de medicamentos. Segundo o Conselho Federal de Farmácia, mais de 80% da população se automedica, o que pode gerar sérias complicações de saúde. O avanço da tecnologia, das redes sociais e da inteligência artificial têm influenciado esta prática. Ao mesmo tempo que é uma aliada na promoção da educação em saúde pela população, a tecnologia tornou-se uma fonte de aconselhamento e recomendação médica.
“Este é um efeito que a gente já observa desde a disseminação dos sites de busca na internet. Comparando essas buscas com as atuais, nas quais utilizamos as ferramentas de Inteligência Artificial, podemos dizer que é um caminho com mais embasamento. Mas ainda assim não são fontes seguras. A pesquisa nessas plataformas não substitui uma análise da condição de saúde desse paciente, seu histórico, riscos entre outras informações importantes que é preciso saber para um diagnóstico e prescrição de medicamentos”, explica a gestora do curso de Farmácia da USCS, professora Cristina Vidal.
O termo cibercondria se refere ao uso excessivo da internet para pesquisas relacionadas à saúde, frequentemente levando ao aumento da ansiedade e à má interpretação de sintomas que podem agravar sintomas somáticos. Este comportamento potencializou-se na pandemia, quando as buscas incessantes por informações, sintomas e medicamentos, sem diferenciar material confiável de enganoso, aumentou o medo da população, levando muitas a se automedicar e recusar as vacinas desenvolvidas.
A resolução da Anvisa nº 96, de 17/12/2008 proíbe a publicidade de medicamentos tarjados (tarja vermelha ou preta) ao público geral e estabelece que apenas medicamentos isentos de prescrição (sem tarja) podem ter propaganda voltada ao consumidor final. Desta forma, estes medicamentos que tem autorização para serem divulgados, os isentos de prescrição, aparecem nas redes sociais como solucionadores de diversos problemas de saúde, nas mãos de influencers (na grande maioria das vezes, por meio de relações comerciais com as empresas farmacêuticas) o que contribui com a decisão e convencimento de parte da população a adquiri-los.
A docente explica que é preciso que as pessoas tenham senso de responsabilidade sobre o que fazer com as informações obtidas, não acreditando que sejam verdades absolutas, e nunca deixem de consultar um profissional da saúde. “Uma recomendação para quem busca informações sobre saúde na internet é sempre optar por sites com relevância cientifica, como as sociedades brasileiras (de cardiologia, de hipertensão entre outras), o próprio site da Anvisa, os Conselhos de cada área (Medicina, Farmácia etc), que são mais reconhecidos em relação à segurança das informações, e evitar sites que não citem as referências utilizadas, sem embasamento em ciência ou em órgãos oficiais”.
Sobre a aquisição dos medicamentos, Cristina explica que o acesso deve ser com a prescrição médica e a compra apenas em farmácias, reforçando que a aquisição por redes sociais ou _market places_ oferecem riscos como falsificação ou prazo de validade expirado. Além dos medicamentos em geral, há um risco maior no caso das canetas emagrecedoras (como Ozempic e Mounjaro), por serem alvo de roubo em estabelecimentos, por quadrilhas especializadas, com intenção de revenda dos produtos. “Quando isso ocorre para a venda de maneira ilegal, sendo medicamentos que requerem cuidados, por exemplo, de refrigeração, nesses desvios é muito provável que ocorra o descuido com o armazenamento correto, o que compromete a integridade do medicamento, suas reações e efeitos, podendo causar efeitos colaterais, reações tóxicas, alérgicas entre outros”, finaliza.
*Sobre o curso de Farmácia da USCS:* O Curso de Farmácia da USCS busca tornar a formação do farmacêutico completa, dinâmica e flexível, compatível com o atual contexto social, econômico e cultural. Seu objetivo é promover uma formação generalista, humanística, crítica e reflexiva, para uma atuação em todos os níveis de atenção à saúde. O curso é reconhecido com nota máxima (5) pelo Conselho Estadual de Educação de São Paulo. O curso é oferecido no campus Centro da USCS e seus estudantes podem atuar na Farmácia Escola (localizada no mesmo campus) desde o 1º semestre.