Na data, docente da USCS fala sobre a profissão, sua importância e os impactos das inovações tecnológicas.
No dia 16 de maio é comemorado o dia do médico geriatra, a especialidade atende especificamente idosos, cuidando da prevenção e tratamento de doenças, atua na reabilitação funcional, além de cuidados paliativos. A qualidade de vida na terceira idade depende de uma combinação de fatores físicos, emocionais, sociais e ambientais, como dieta, exercícios físicos, exames de rotina, avaliação geriátrica ampla e frequente, além de atividades sociais e de lazer.
Atualmente, o país tem um déficit de cerca de 28 mil geriatras. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um geriatra para cada mil idosos, mas no Brasil, a proporção é um para cada 12.086 idosos. Para a médica geriatra e docente do curso de Medicina (campus Centro-SCS) da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), Maria Cecilia Fernandes, a profissão ainda não atrai um número suficiente de médicos, devido tanto à longa jornada de formação, quanto, em muitos casos, à remuneração menor em comparação com outras especialidades médicas mais procuradas. “Há falta de incentivo à formação e poucos programas específicos que incentivam a escolha da geriatria entre os estudantes de medicina. O atendimento geriátrico exige um trabalho multidisciplinar e contínuo, lidando com pacientes com grande complexidade de cuidados, frágeis, com múltiplas doenças crônicas, o que exige grande dedicação” explica.
Assim como as demais profissões da área da saúde, há riscos ocupacionais que podem acometer os médicos geriatras. “Esses profissionais podem estar expostos a algumas doenças ocupacionais devido à natureza do trabalho, que exige esforço físico, carga emocional significativa e exposição a agentes biológicos. É a medicina que lida com pacientes e familiares com grande demanda de cuidados” esclarece a médica.
Inovações tecnológicas têm tido como proposta mudar o cuidado geriátrico, trazendo autonomia, praticidade e segurança a essa população. Monitoramento remoto, telemedicina, robôs assistivos e gerontecnologia (tecnologia voltada aos idosos, como recursos inteligentes de alterações em casa, em procedimentos do dia a dia entre outros) são algumas dessas tecnologias. A docente vê de forma positiva a inovação na área “A telemedicina permite consultas remotas, reduzindo a necessidade de deslocamento dos idosos e garantindo que recebam acompanhamento contínuo, independentemente da localização. Os dispositivos de monitoramento remoto possibilitam um acompanhamento em tempo real da saúde do paciente, ajudando os médicos a identificarem riscos e intervirem de forma preventiva. A automatização permite também maior agilidade e otimização do tempo”.
Segundo dados do Ministério da Saúde de setembro de 2024 (Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (re)conhecimento e projeções futuras), 8,5% da população com 60 anos ou mais convivem com a doença, representando um número aproximado de 2,71 milhões de casos, sendo que até 2050, a projeção é que 5,6 milhões de pessoas sejam diagnosticadas no país. Estima-se que 45% dos casos poderiam ser prevenidos ou retardados por meio do controle de fatores de risco como hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e isolamento social. Em relação aos casos de demência, a profissional explica que o atendimento médico a esses pacientes envolve uma abordagem multidisciplinar e contínua, com foco na prevenção, diagnóstico precoce e manejo dos sintomas. “Atuar na orientação, educação sobre os fatores de risco é fundamental e além disso a orientação e apoio aos familiares e cuidadores é complementar ao nosso trabalho e atuação profissional”, reforça a docente.
Sobre quando procurar um médico geriatra, Cecília esclarece que a busca não precisa ocorrer apenas quando há um problema evidente; ao contrário, a especialidade trabalha muito na prevenção e na melhoria da qualidade de vida; sendo assim, é recomendado esse acompanhamento a partir de 50 anos.
Sobre a importância da profissão, Cecília explica: “A geriatria não trata apenas de doenças, mas cuida de vidas, promovendo dignidade, autonomia e bem-estar aos idosos e seus familiares. A geriatra exige conhecimento técnico, empatia e uma visão holística do paciente e é uma especialidade desafiadora, mas imensamente recompensadora!”, finaliza a profissional.