
A USCS recebe a exposição “Olhares que Tecem Territórios (Miradas que Tejen Territorios)”, uma mostra que reúne fotografias, objetos e narrativas produzidos em diferentes territórios do Brasil e da Colômbia. Integrando ações do projeto RAÍS – Rede Amazônica de Iniciativas Sociobioeconômicas e Fortalecimento de Capacidades para a Resiliência Local, a exposição convida o público a refletir sobre as conexões entre comunidades, culturas e diferentes formas de viver, evidenciando que os territórios são construídos pelas relações humanas, pelos saberes compartilhados e pelas experiências coletivas.
“Tecer territórios significa compreender que um território, além dos espaços geográficos, também é feito das relações, das memórias e das pessoas que o vivem. Acho interessante pensar que podemos estar diante do mesmo lugar ou da mesma situação, mas cada pessoa pode percebê-la de uma maneira diferente, porque carrega sua própria história, seus conhecimentos e suas experiências. É justamente nesse encontro que novos significados são construídos. Acredito que essa ideia está muito presente nas obras apresentadas. Cada obra parte de uma experiência, de uma ação ou de uma forma particular de olhar para o território. Quando colocamos essas diferentes perspectivas lado a lado, percebemos que elas não mostram apenas um território, mas também as diferentes maneiras pelas quais ele é vivido, interpretado e transformado. Tecer territórios também é conectar essas diferentes percepções, é entender que cada olhar acrescenta um fio e que, juntos, esses fios constroem uma trama diversa e coletiva.” Andrea Granada, intercambista do projeto Fortalecimento de Capacidades para a Resiliência Local.
As fotografias reunidas nesta mostra foram produzidas nos três núcleos de atuação do Projeto RAÍS: Bogotá (Colômbia), São Caetano do Sul (Brasil) e a fronteira Tabatinga-Letícia (Fronteira Brasil–Colômbia). Selecionadas entre as imagens vencedoras e participantes do concurso fotográfico promovido pelo projeto e por registros realizados ao longo de sua trajetória, elas retratam diferentes expressões do território: comunidades ribeirinhas, periferias urbanas, práticas produtivas, redes de cuidado, iniciativas comunitárias e saberes tradicionais que, juntos, revelam a diversidade cultural e ambiental que une Brasil e Colômbia. A mostra também apresenta em forma de arte, experiências que valorizam e fortalecem a bioeconomia, a economia do cuidado e a economia solidária, temas centrais do projeto RAÍS.
“A arte aproxima porque desperta curiosidade, cria identificação e abre espaço para o diálogo, e a fotografia, em especial, transforma temas que muitas vezes parecem distantes em realidades concretas. Mesmo que muitas pessoas ainda não conheçam conceitos como bioeconomia, economia do cuidado e economia solidária, eles estão presentes no nosso cotidiano, nas formas de produzir, cuidar, compartilhar saberes e preservar memórias. Ao trazer essas vivências para dentro da universidade por meio de imagens, a exposição fortalece o diálogo entre a academia, as comunidades e a sociedade, convidando o público a refletir sobre resiliência, memória, identidade cultural e as diferentes formas de construir futuros possíveis.” Letícia Justino, intercambista do projeto RAIS.
Para ampliar esse diálogo, o Projeto RAÍS, organizador da exposição, convidou o projeto Fortalecimento de Capacidades para a Resiliência Local a integrar a mostra com fotografias e objetos produzidos ao longo de sua trajetória durante a terceira ronda do projeto na USCS. Entre as obras apresentadas estão mosaicos, cartas para o futuro e mochilas Wayuu, que ampliam as possibilidades de diálogo entre arte, educação, memória e sustentabilidade, abordando temas como identidade cultural, resiliência e transmissão de saberes entre gerações.
“Iniciativas como essa fortalecem o intercâmbio de conhecimentos entre Brasil e Colômbia porque conectam experiências, aprendizados e diferentes formas de compreender e atuar nos territórios. A exposição reúne os olhares de dois projetos de cooperação internacional que, embora desenvolvam ações distintas, compartilham o propósito de aprender com as comunidades e construir conhecimento a partir de suas realidades. Por meio das fotografias de São Caetano do Sul, Tabatinga, Letícia e Bogotá, a exposição aproxima esses territórios, valoriza sua diversidade e mostra o quanto podemos aprender uns com os outros.” Paula Pulido, intercambista do projeto Fortalecimento de Capacidades para a Resiliência Local.

Em parceria com a empresa Formulación y Gestión de Proyectos (FyGP), de Bogotá, Colômbia, e com a Incubadora de Negócios de Impacto Socioambiental do Alto Solimões (InPactas), da Universidade Federal do Amazonas, localizada na região amazônica fronteiriça entre Brasil e Colômbia, a USCS desenvolve o projeto RAÍS – Rede Amazônica de Iniciativas Sociobioeconômicas. A iniciativa busca fortalecer os ecossistemas da bioeconomia, da economia do cuidado e da economia solidária. Em agosto de 2026, o projeto inicia sua segunda ronda de intercâmbio, com o envio de dois profissionais da USCS para as instituições parceiras e o recebimento de outros dois profissionais que atuarão durante um ano na Universidade.
Já o projeto Fortalecimento de Capacidades para a Resiliência Local é desenvolvido por meio de uma parceria entre a USCS e a Universidad Metropolitana (UNIMETRO), da Colômbia. Iniciado em 2023, o projeto promove o intercâmbio de profissionais entre as instituições, que atuam em atividades de docência, pesquisa e relação com a sociedade, articulando suas áreas de conhecimento às realidades e às desigualdades presentes nos territórios envolvidos. As ações estão alinhadas às agendas globais de desenvolvimento sustentável, representadas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 1, 5, 11, 13 e 17), pelo Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres e pelo Acordo de Paris.
Ambos os projetos são financiados pela Agência Norueguesa para a Cooperação e Intercâmbio (NOREC) e têm como eixo comum o fortalecimento da cooperação internacional, da troca de conhecimentos e da construção de soluções conectadas às realidades dos territórios. Embora atuem a partir de diferentes contextos e temáticas, as iniciativas compartilham o propósito de aproximar instituições, profissionais e comunidades na construção de conhecimentos e práticas voltados ao desenvolvimento sustentável e à resiliência.
Exposição: Olhares que Tecem Território (Miradas que Tejen Territorio)
Local: Pátio – Campus Barcelona
Avenida Goiás, 3400 – São Caetano do Sul, SP
Visitação: segunda a sexta-feira, das 10h às 21h30; sábados, das 10h às 15h.
Entrada gratuita.
“Espero que, ao percorrer os espaços da exposição, o público leve consigo a certeza de que o território não é apenas um mapa geográfico, mas um corpo vivo impregnado de memórias ancestrais e identidades que se recusam a ser apagadas. Desejo que esta experiência sensível convide o visitante a desacelerar e enxergar a força dos povos indígenas, cuja sabedoria ancestral e relação sagrada com a terra não pertencem ao passado, mas apontam os únicos caminhos possíveis para o nosso futuro coletivo. Que a mostra ilumine também as existências frequentemente invisibilizadas, como os adultos maiores, que guardam em seus corpos a biblioteca viva de nossa história, e as mulheres, que historicamente sustentam o mundo através do trabalho silencioso e fundamental da rede de cuidados. É justamente através da arte que essa teia de afeto, resistência e diversidade ganha voz e forma; a arte atua aqui não apenas como contemplação estética, mas como uma ponte viva e transformadora capaz de traduzir o indizível, denunciar apagamentos e conectar diferentes culturas. Ao final, a grande mensagem que espero que permaneça é a de que não existe futuro sustentável nem justiça social sem o reconhecimento pleno daqueles que protegem a vida a partir das margens, e que cada um de nós saia transformado, com uma escuta mais empática e o compromisso ético de honrar essas memórias no próprio dia a dia.” Daniela Cerra, intercambista do projeto Fortalecimento de Capacidades para a Resiliência Local.
Além das fotografias, a exposição também reúne duas videoartes, produzidas a partir de registros feitos pelas participantes de cada projeto durante as viagens de intercâmbio, revelando os territórios e as experiências vivenciadas ao longo desse percurso. As obras foram assinadas por Camilla Pinho e Lucas Veloso, profissionais formados pelo curso de Produção Audiovisual da USCS.
Acesse a exposição virtual “Olhares que Tecem Território” e confira todas as obras da mostra.
