Estudo publicado na Nature Medicine, uma das revistas científicas mais prestigiadas e influentes do mundo na área da saúde, colocou a produção científica brasileira em evidência ao estimar que o vírus Oropouche infectou cerca de 9,4 milhões de pessoas na América Latina e Caribe entre 1960 e 2025. O número é muito superior aos casos oficialmente registrados e indica uma subnotificação expressiva da doença.
A pesquisa foi realizada, entre outros autores, pelas professoras e pesquisadoras do Núcleo de Inovação em Saúde da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) Erika R. Manuli e Ester C. Sabino, que também tiveram papel relevante na consolidação da pesquisa em saúde na Universidade. A estrutura construída ao longo dos últimos anos permitiu ampliar colaborações científicas e estabelecer parcerias com empresas do setor, como a Euroimmun, indústria fabricante de soluções para diagnóstico laboratorial médico, além de viabilizar novos estudos em andamento.

O trabalho mostra que o vírus circula muito mais do que se imaginava, em parte porque muitas infecções não apresentam sintomas ou são confundidas com outras arboviroses. Em regiões com menor acesso a serviços de saúde, o cenário se torna ainda mais evidente .
Outro ponto importante é que a dinâmica de transmissão do Oropouche difere de doenças como dengue e zika, arbovirose (doença viral) transmitida principalmente pela picada de mosquitos infectados do gênero Aedes. Enquanto essas estão mais associadas a ambientes urbanos, o Oropouche ocorre com maior frequência em áreas próximas a florestas, o que exige abordagens específicas de vigilância e controle .
Para a USCS, a publicação em um periódico desse nível reforça a inserção da universidade em redes internacionais de pesquisa e evidencia a importância de investir em infraestrutura científica. Para os estudantes e jovens pesquisadores, é uma oportunidade de acompanhar de perto como estudos desenvolvidos com participação brasileira contribuem para o entendimento de problemas relevantes de saúde pública.